Imagine um mundo sem religião.

Ainda refletindo sobre tudo o que foi lido em “Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins, me veio a lembrança da parte em que ele menciona a sua experiência como apresentador do documentário “Root of all evil?” (Raiz de todo mal):

Dawkins lembra que, apesar das ressalvas com o título do documentário – pois não acredita na ideia de que a religião seja a raiz de todo o mal, ou que qualquer coisa seja a raiz de tudo, seja lá o que tudo for – adorou absolutamente o anúncio que o Channel Four publicou nos jornais como propaganda do documentário: uma foto da silhueta dos prédios de Manhattan com a legenda “Imagine um mundo sem religião” – tal como na foto capa deste post.

Qual é o grande choque da imagem? A presença, saltando aos olhos, das torres gêmeas do World Trade Center.

A partir dessa lembrança, Dawkins propõe ao leitor embarcar nas palavras de John Lennon e, então, imaginar um mundo sem religião*:

  • Sem ataques suicidas;
  • Sem o 11/9;
  • Sem o 7/7 londrino;
  • Sem as Cruzadas;
  • Sem caça às bruxas;
  • Sem a Conspiração da Pólvora;
  • Sem a partição da Índia;
  • Sem as guerras entre israelenses e palestinos;
  • Sem massacres sérvios/croatas/muçulmano;
  • Sem a perseguição de judeus como “assassinos de Cristo”;
  • Sem os “problemas” da Irlanda do Norte;
  • Sem “assassinatos em nome da honra”;
  • Sem evangélicos televisivos de terno brilhante e cabelo bufante tirando dinheiro dos ingênuos (“Deus quer que você doe até doer”);
  • Sem o Talibã para explodir estátuas antigas;
  • Sem decapitações públicas de blasfemos;
  • Sem o açoite da pele feminina pelo crime de ter se mostrado em um centímetro.

A reflexo dói um pouco na alma.

Mas se dói é porque estamos refletindo. E a reflexão é o combustível para a evolução.

Grande Abraço,

Dois Minutos De Prosa

* Curiosidade: Dawkins menciona que em alguns lugares dos Estados Unidos e música “Imagine” é alterada, trocando-se a expressão “and no religion too” por “and one religion too”. Triste.